sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Liberta-te.....

Somos responsáveis pelo que temos mas também pelo que não temos... Estranhamente raras vezes paramos para pensar que se ainda não atingimos alguns patamares é porque não estamos a permitir que as energias necessárias para lá chegarmos sejam ativadas. Elas existem mas não as estamos a deixar fluir por nos concentrarmos demais naquelas que nos fizeram perder algo... E se não tivermos perdido? E se apenas tiver mudado de sítio? É que não existem energias más, apenas forças que agem por secções... Mas a sensação de "deixar de ter" é sempre complicada de gerir, aflitiva até em certa medida até a conseguirmos segmentar em todos os items que isso irá renovar em nós.
Somos responsáveis pelas lágrimas que choramos mas também por aquelas que fazemos chorar. Mas entre umas e outras todas elas servem certamente para purificar... E quantos de nós ousam assumir que às vezes só estamos a ajudar os outros provocando-lhes essa catarse? Parece cobardia ou egoísmo dizer que nos sentimos aliviados por termos conseguido que alguém chorasse mas acredito hoje tratar-se apenas de um dos maiores degraus para conduzirmos alguém a um nível acima, a um espaço na alma capaz de agora acolher novas sensações que até então não conseguia pois esse espaço estava ocupado pelas lágrimas que não se derramavam. Às vezes é mesmo preciso reciclar os espaços em nós, permitir que se troquem as emoções para percebermos que a liberdade de escolher as dinâmicas que queremos que nos povoem e preencham como seres é nossa e que dela surgirão sempre novos domínios de nós.
Hoje acredito que não terei conseguido com as palavras certas fazer-te acreditar que sei que algo melhor e maior te está guardado e que eu fui apenas ponte para chegar lá mas....que recebas essa mensagem no silêncio do que nunca te direi mas que sempre acreditarei... Liberta-te...O Mundo é só o começo!
Até já

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Simples,não?

As coisas simples da vida conseguem, quase sempre, que me sinta plenamente feliz. Porém, a simplicidade parece não ser fácil de conseguir e menos ainda de manter. Vivemos tempo demais presos à ideia de que para alcançarmos uma plenitude temos que ser mais e melhor mas no fundo para ser grande basta ser inteiro... Mais tempo ainda perdemos a acreditar que para sermos inteiros temos que ter alguém que nos complemente... É falaciosa esta forma de pensar que tanto oprime a identidade própria, a vinculação de valores, a enraização de projetos e a posta em prática dos nossos recursos físicos e humanos para sermos cada vez mais simples...
Gosto tanto das coisas simples que até se torna complicado... dançar à chuva, andar descalço, comer a parte do meio das torradas... Simples, não?
Porque tendemos a complicar os nossos mais pequenos desejos e dar-lhes uma dimensão incomensurável que às vezes nem cabe em nós? As coisas devem ter a dimensão que têm. Nada mais que isso...
Até já...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Nada é vazio...

Ditam as leis da Física que "Nada é vazio", pois mesmo quando se muda alguma coisa de lugar esse espaço é ocupado por átomos, ar... Por isso, não há também em nós nada que permaneça vazio após uma mudança, após algumas alterações estratégicas ou mesmo inesperadas. Quando tendemos a sentir que um vazio se apodera do que sentimos ou pensamos podemos sempre encará-lo na perspetiva de que estamos apenas a renovar-nos de ar, a oxigenar espaços, por forma a conferir-lhes um caráter de renovação, capaz de acolher novas sensações e desafios.
Se sinto o vazio? Tempos houve em que tinha espaço para o vazio, contudo o crescer de mim própria fez-me ver que preencho todos os lugares de mim, os de dar e os de receber, os de pensar e os de agir, os de idealizar e os de realizar...
Naturalmente, e como não só de Física nos tratamos, surgem fases de reflexão durante as quais equaciono a dimensão dos espaços ocupados e a eventual necessidade de os reciclar... Por ora, mantenho a sustentabilidade dos projetos que tracei para mim, encaro-os como sendo a linha que continua a fazer sentido seguir por maiores que sejam os desvios, mas procuro encará-los como um núcleo de pilotagem para passar à fase seguinte, melhor pensada, mais validada em experiências e com mais objetivos. Por isso, mais do que procurar os vazios, procuro as razões; mais do que tentar preencher espaços, procuro dar-lhes sentido e muito mais do que me "encher de gente", prefiro a "gente cheia" de significado para mim.
Pragmaticamente, acho que toda esta contextualização se resume muito facilmente na ideia base de que nada é vazio, nem mesmo quando o vazio aparenta ser o mais garantido porque afinal de garantido temos apenas uma coisa na vida...
Até já.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Querer e poder...

Querer e poder são dois infinitivos verbais bem distintos, apesar de na prática muita gente tender a confundi-los ou a dar-lhes jeito essa "pequena" troca de palavras...
Ouve-se com frequência um "Não posso..." quando tantas vezes a verdade é "Não quero.... (mas não fica bem dizer assim)". Também o "Não quero...." tantas vezes substitui um "Não posso.....(mas gostava tanto!)".
Portanto, numa altura em que tanto temos a mudar nos nossos hábitos de escrita devíamos também fazer o esforço por mudar os nossos hábitos de discurso e fazê-lo refletir aquilo que realmente pretendíamos dizer, não vá quem nos ouve interpretar à letra e depois ficar perdido no jogo de palavras...mais do que um acordo ortográfico, meus caros, precisamos urgentemente de um acordo connosco próprios e perceber até que ponto não estamos a poluir a genuinidade das intenções de discurso. Tudo bem que às vezes nos dá jeito fazê-lo mas.... não queiramos depois acreditar naquilo que estamos a tentar fazer passar como mensagens aos outros porque pior do que tentar convencer alguém é tentar convencermo-nos...
E de que falo? De qualquer pedra da calçada em que eu posso até tropeçar mas não quero!!!!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O primeiro triunfar

Saído de um pequeno casulo
Caminhaste degrau a degrau
No crescimento até àquela imensa porta
Que termina neste primeiro triunfo.

Juntos percorremos esses degraus
Que a vida nos vai dando
Com tristezas e alegrias
Como as cores do arco-íris…

Com sorrisos e lágrimas
Reflectidas no quadro onde passearam
As vogais e consoantes
E os números das várias operações
No aprender e descobrir!

Hoje começa a fechar-se aquela porta que já conhecias de cor
E assim comemoraremos o primeiro triunfo
Que começa um novo mundo
Onde o crescimento da aprendizagem
Será tão maravilhoso como o teu crescer.

A ti,Alexandre, Ana Beatriz, Beatriz, Carolina, Catarina, Cláudia, Diogo, Fábio, Francisco, Guilherme, Gui, Ishan, João, Rui e Sofia,
Obrigada por teres saído do meu casulo!

Finalistas.... os meus meninos estão prestes a alcançar o primeiro grande triunfo...
Entre risos, sermões, aprendizagens e cumplicidades os nossos caminhos entrosaram-se e foram um só mas agora novos rumos irão surgir... vivemos este fim-de-semana o culminar da vossa homenagem com a entrega das fitas e diplomas, pequenos símbolos de toda a amizade que vos dedicamos e, acima de tudo, como reconhecer de um pequeno grande passo. Por agora, para abafar a saudade resta-me recordar a cada minuto que "aqueles que passam na nossa vida não partem sós e não nos deixam sós pois deixam sempre um pouco de si e levam um pouco de nós". Obrigada por tudo o que deixam na minha vida, todos os silÊncios em que tanto me disseram, todos os abraços em que tanto me fortaleceram, todos os beijinhos que nunca foram demais... Caminho convosco para sempre porque essa é a missão que me pede o coração, que todos os vossos sucessos sejam sempre divididos com alguém que vos ama profundamente e que continua a celebrar este contrato convosco...
Hoje mais do que nunca tenho mesmo que ser um Ate já....

domingo, 29 de maio de 2011

Diário de bordo... de muitos dias...

"Estou concentradíssima"... em mim, mas principalmente no Universo.
Ativamente a minha demanda sobre a questão que marcava o maior cerne da minha existência chegou ao fim... Foram precisos longos anos de revoltas, retóricas, mágoa mas, finalmente, a trégua chega num culminar de uma aprendizagem progressiva que precisa, agora, de se direcionar para novos rumos.
Durante muitos anos acusei a falta de memórias como uma ferida que não cicatrizava. Porém, finalmente é-me dado a conhecer que a falta de memórias Às vezes é uma benção, que onde não há raizes não há o que ceifar nem sofrer com as tempestades porque nada será perdido... No entanto, tive que arrancar as raizes das memórias que não tinha, tive que, literalmente, "enterrar" bem longe essas raizes e tive que me semear de novo...
Sou campo em socalcos, com vários patamares da existência e da essência, os quais após uma boa adubagem, acredito que darão frutos, apesar de saber que serão precisos vários dias, várias mondagens e algum efeito de estufa... Por ora, a estufa serve apenas para me proteger, para permitir que a aridez dê lugar a uma serenidade no terreno...
De tão concentradíssima nem consigo transcrever a imensão de palavras, pensamentos, ideais e sementes que encerro em mim. Por isso, sirva esta mensagem apenas para assinalar o momento em que me inebrio do sabor do Universo, que dele bebo não só as energias mas também e principalmente as lições e pedidos que ele me emite. Se os ouvimos todos? Ouvir todos ouvem, responder poucos ousam porque implica coragem e implica, principalmente, cair muitas vezes, reaprender muitas etapas e reestruturar muitos projetos na nossa vida. E torna-nos mais pequenos por isso? Ah................. a energia de quem aceita o desafio é muitas vezes reciclada nos pontos de luz mais pequenos, de onde nada se espera e que, por isso mesmo, tudo pode acontecer...
Não vou emitir nuvem de cinza mas vou iniciar a minha erupção de ideias, ideologias, ações, intenções, aquelas que vão fertilizar os campos que serão, muito em breve, aqueles aos quais vou atirar as sementes. Mas sobre elas nada a acrescentar...
Até já...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Unspoken....

Quanto se diz no silêncio e quanto podemos ouvir... Porém, a grandeza de cada um de nós reside exatamente em saber filtrar as vozes e, consoante a sua força, torná-las ecos ou abafá-las...
Não privilegio o silêncio para me expressar perante o próximo mas confesso que me fui habituando a ele como forma de comunicarem comigo. Primeiro estranha-se, depois entranha-se... e se parece uma maneira fácil de comunicar, enganem-se!! Porque com alguma capacidade de encaixe que felizmente possuo até sei gerir minimamente a ausência de palavras mas longe estou de conseguir ler nas entrelinhas do silêncio. Porque o silêncio fala. Porque o silêncio magoa. Porque o silêncio consegue doer mais do que a mais atroz das palavras.
E que fazer perante ele? Autodidaticamente aprendi que há duas formas de silêncio: aquele no qual queremos estar calados e aquele no qual queremos dizer tanta coisa... Felizmente, não leio pensamentos, mas leio ações e essas não há como ocultar como fazemos com as palavras. Gerir é, portanto, um processo que depende, para mim, de dois fatores: da pessoa que o emite e da etapa ou recorrência com que o usa. A algumas pessoas aprendi a entendê-lo como parte do que são, a outras simplesmente reconheço-o como um subterfúgio quando não temos respeito suficiente pelo próximo para usar a palavra, por mais que ela seja uma realidade que não podemos alterar. Quando este subterfúgio em vez de exceção passa a ser regra por já parecer tão natural e tão mais fácil, então, caríssimos, só há uma mensagem que está impressa nele: quaisquer palavras são perder tempo... E eu não gosto disso... Nem de perder tempo, nem que percam tempo comigo. Esse, infelizmente, não volta, não se recupera, não se controla tão meticulosamente como se dentro de cada um de nós existisse um enorme relógio capaz de gerir quando devíamos usar toda a força das palavras no sentido da luz e apagar o tempo em que o silêncio nos consome energias que podiam ser completamente empregues no convergir de palavras que, mesmo não ditas, são sentidas, vividas, realizadas...
Se parecer incoerente no discurso é porque estou em silêncio, comigo, com algumas entidades mas, particularmente, com o próprio silêncio e porque estou a encher os pulmões para gritar com toda a veemência que a voz ativa desta história é uma só: a minha. De resto, o Universo vai acompanhar a sonoridade, métrica e ritmo desse grito e cooperar comigo no sentido de transformar todos os silêncios numa enorme fonte de linguagem onde as palavras sejam obrigatoriamente capazes de devolver aos seres a capacidade de verdadeiramente comunicarem em vez de debitarem palavras, de não terem medo de dizer as palavras certas nos momentos exatos e de, finalmente, termos uma sociedade onde a voz ativa seja predominantemente a das nossas sensações e emoções e não uma voz mecânica que nos habituamos a repetir.
Tenhamos voz, tenhamos noção de que do outro lado alguém nos ouve ou alguém espera ouvir-nos mas, metodicamente, usemos este instrumento como raiz da nossa felicidade unicamente pela força das palavras... Ninguém é tão leigo que não tenha uma palavra a acrescentar e ninguém é tão sábio que não tenha uma palavra a aprender. Eu, porém, peco pelo excesso e devo aprender a deixar por dizer, até porque felizmente as minhas ações falam por mim e sei que quem tem mensagens para entender as sabe tão bem que pronunciá-las não mudaria sequer a entoação com que seriam ditas... Porque mesmo no meu silêncio a palavra é uma só....
Até já...